Um raio é uma descarga elétrica que se produz pelo contato entre nuvens de chuva ou entre uma destas nuvens e a terra. A descarga é visível a olho nu, com trajetórias sinuosas e de ramificações irregulares às vezes com muitos quilômetros de distância até o solo. Este fenômeno produz um clarão conhecido como relâmpago e também uma onda sonora chamada trovão.
O Brasil é o país no qual mais se registra o acontecimento de raios em todo o
mundo. Por ano, cerca de 50 milhões de raios atingem o território brasileiro,
estima o Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais. É o dobro da incidência nos Estados Unidos, por exemplo.
Cada descarga representa um prejuízo de R$ 10 para o setor de energia. Ao todo,
os raios causam um prejuízo de R$ 1 bilhão anual à economia do Brasil, apurou o
Elat. O setor elétrico é o que acumula mais perdas, com cerca de R$ 600 milhões
por ano. Depois seguem os serviços de telecomunicações, com prejuízo de cerca
de R$ 100 milhões por ano. Também são atingidos os setores de seguro,
eletroeletrônicos, construção civil, aviação, agricultura e até pecuária.
Os raios também foram responsáveis por 236 mortes no Brasil em 2008 –
o recorde da década.
Segundo o Elat, de 2000 a 2009, 1.321 pessoas morreram atingidas por raios no
Brasil. O estudo aponta para a média de 132 mortes por ano. O Sudeste foi a
região onde mais pessoas morreram (29%), seguido pelo Centro-Oeste (19%), Norte
(17%), Nordeste (18%) e Sul (17%). A maior parte das mortes ocorre na zona
rural (61%), contra 26% na zona urbana, 8% no litoral e 5% em rodovias.
Uma explicação para essa grande quantidade de raios deve-se ao tamanho do
território, condições climáticas e a ausência de grandes elevações no seu relevo.
O aquecimento global pode levar ao aumento na incidência de raios. Nas estações
quentes, a incidência dos raios também aumenta.
A cidade brasileira que mais recebe descargas elétricas é Teresina, capital do
Piauí — chegando a ser a terceira cidade do mundo onde mais acontecem
sequências de descargas elétricas. Por esta razão, a região recebe a curiosa
denominação de "Chapada do Corisco".
Ninguém sabe ao certo como os raios são criados, mas é possível que o gelo nas
nevens tenha alguma influência, talvez ajudando a dividi as correntes elétricas
em cargas positivas e negativas. Menos de 5% dos relâmpagos são raios positivos
- nos quais toda carga tranferida da nuvem para o solo é positiva. Os raio
positivos têm duração maior do que o dos raios normais (negativos) e criam
campos elétricos mais fortes, que geram raios de 1 bilhão de volts e correntes
elétricas de até c.300.000 ampères.